Início da Super Vê brasileira


O começo da temporada de 1974 foi turbulento no Brasil. A briga entre a CBA e ACB havia terminado há alguns anos, mas no final da temporada de 1973 implodiu a situação dentro da própria CBA, levando à nomeação de um interventor.

Além disso, a crise do petróleo levou ao cancelamento a postergação de diversas corridas, cuja gasolina era liberada pelo governo. No caso da Super-Vê, o navio que trazia os pneus para a categoria sofreu atrasos, assim a Super-Vê acabou estreando somente no dia 15 de setembro de 1974, quando a temporada europeia estava praticamente terminada.

Em termos numéricos o início não foi muito auspicioso, em relação à Fórmula Ford. Somente onze carros compareceram na primeira prova, que foi realizada em Goiânia, autódromo recém inaugurado. Considerando-se que a Super Vê tinha múltiplos fabricantes de chassis, em relação à FF (todos os chassis eram Bino em 1971, salvo por um ou outro importado), era de se esperar um plantel maior de carros, que foram sendo adicionados pouco a pouco, com a realização de cada prova nova.

No fim das contas, comparecerem os seguintes carros:
Kaimann da Equipe Creditum, com Ingo Hoffmann
Polar da equipe Motorádio, com Chico Lameirão
Kaimann do ACRGS, com Chico Feoli
Kaimann da Pinhal, com Ricardo Mansur
Heve da Govesa, com Milton Amaral
Kaimann da Sabrico, com Claudio Dudus
Kaimann da Marcas Famosas, Eduardo Celidônio
Polar da Promo Sport, com Benjamin Rangel
Polar da Ideal Induspina, com Nelson Piquet (na época, seu nome era grafado em diversas formas nas reportagens, Piket, ou mesmo Picquet, que preparou seu próprio motor nessa corrida de estreia e quase fica com a pole)
Newcar, da Lonex, com Newton Pereira
Kaimann da Diauto Condugel, com Ricardo di Loreto

Reportagens da época apresentavam certas desculpas pela falta de carros, dizendo que a primeira prova da F3 inglesa teve somente 10 carros, o que era uma verdade. Mas a Super Vê progrediu bastante, com o vultoso patrocínio da VW, e na final de 1975 nada menos do que 41 carros alinharam em Interlagos. Infelizmente, no seu último ano de existência, rebatizada Fórmula VW 1600, os grids da categoria mais pareciam os da estreia em 1974 do que da final de 1975.

A revista AE dizia que pela primeira vez carros brasileiros poderiam competir no exterior, pois a Super-vê era uma categoria internacional, com disputadíssimos campeonatos na Europa e USA. De fato, o grande corredor da temporada de 1974 na Europa era um certo Keijo Rosberg, mais conhecido como Keke, que acabou campeão mundial em 1982. Que eu saiba, nenhum piloto brasileiro pensou em inscrever os carros brasileiros de Super Vê em torneios internacionais da categoria, embora um ou outro Polar tenha sido usado no começo da Fórmula 2 Codasur. 

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