Algo surpreendente na Divisão 4 em 1975

No seu ano derradeiro, a Divisão 4 demonstrou uma faceta surpreendente, dado o pequeno número de participantes - uma variedade razoável de carros.

Além do Berta Hollywood, que finalmente estreara naquele ano, um número razoável de chassis apareceu em uma ou outra das seis corridas de protótipos daquele ano.

Sobre o Berta Hollywood, muito se escreveu. A sentença de morte da caríssima categoria de protótipos na Argentina já havia sido declarada há muito, e o Berta, projetado no país vizinho, iria correr no Brasil já em 1974. Houve um movimento entre os pilotos para impedir a participação do carro, mas a Hollywood acabou removendo os empecilhos de ordem jurídica e desportiva. Afinal de contas, em 1973 a CBA havia autorizado a participação do Ford GT40 com motor Maverick em provas do Brasileiro, e uma Alfa T33 com motor Maverick correra na Cascavel de Ouro. O precedente já havia - a única diferença era que nesse caso, o Berta, chassis estrangeiro com motor Maverick brasileiro, era um carro novíssimo. No fundo, esperava-se que o Berta Hollywood salvasse a D4, mas há quem diga que a matou de vez.

O Berta não ganhou todas as corridas em que participou. De fato, ganhou quatro.
Somente dois Avallone dos diversos carros construídos pelo "Careca", participaram de provas, os carros com motor Chrysler de Pedro Muffato e Elton Rohnelt. Muffato ganhou a prova de Cascavel.

Uma série de Mantas apareceu. Os principais foram os carros com motor Chrysler de Valdir Favarin, que chegou na última prova liderando a Classe B, e Mauro Luis Turcatel, e o modelo com motor VW de Ricardo Valente, entre outros.

O Heve de Mauricio Chulam e o Polar de Newton Pereira estiveram em todas as corridas, ambos equipados com motor VW. Outros Heves (Ricardo Mogames, Paulo Leser) e um Polar (Jan Balder) correram no curso do ano.

O Royale que ganhara a prova de Goiânia do ano anterior, e fora desclassificado, voltara a aparecer na D4, com Marinho Amaral, Fausto Berti e com o próprio Troncon. Em Cascavel esteve presente o protótipo bi-motor, que nesta ocasião tinha dois motores VW e Airton Szidowslki na pilotagem.

O Fitti VW voltou ás pistas no Planalto Central, com Antonio Martins Filho. O protótipo Sabre, que aparecera pela primeira vez em 1972, correu em Cascavel, com Ilo Weirich.

A mais surpreendente participação, entretanto, foi de Bica Votnamis, há muito afastado das pistas, com um Protótipo Chevrolet inscrito em Tarumã. Pouco se sabe sobre esse carro - se era uma evolução do carro com motor dianteiro usado por Bica em 1969, ou se era algo novo. Supostamente, segundo fontes, era o Caçador II, o carro de 1969, equipado com motor Chevrolet Nacional de 4,1 litros, pois o motor Corvette não podia ser usado em carros da D4. 

Seja como for, foi a última corrida do piloto e de seus protótipos no Brasil.

Uma pergunta - onde estava o relativo mundaréu de Heves, Polar e Avallones existentes no País? Na UTI?

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