Colegas de Senna na F3

Quando o piloto é excepcional, não tem jeito. Independente de quem tenham sido seus concorrentes nas fórmulas menores, o cara (ou a cara) evolui para categorias maiores e mostra serviço. Mas nesse quesito o Senna deu sorte - a maioria dos seus colegas de F3 não era lá muita coisa, nos diz a história com a eficácia da retrospectiva.

Sem dúvida, seu mais forte concorrente - e um dos poucos colegas que chegou à F1 - foi Martin Brundle, que corria na equipe de Eddie Jordan. De fato, Brundle quase tira o título de Senna, que iniciou o ano a todo vapor, mas no meio da temporada teve uma queda de produção. Ambos corriam com Ralt Toyota.

Os outros dois pilotos da F3 britânica daquele ano que chegaram á F1 foram o canadense Allen Berg, que fez algumas corridas com a Osella, e o nobre Johnny Dumfries, que viria a ser inclusive companheiro de Senna na Lotus. Berg também correu com Ralt Toyota, mas Dumfries tinha motor VW no seu Ralt.

Entre os pilotos que não chegaram à F1, Davy Jones foi sem dúvida o melhor. Eventualmente fez uma excelente carreira em carros esporte, após passar pela F3000, chegando inclusive a ganhar as 24 horas de Le Mans. Jones correu com Ralt VW. David Leslie, escocês, teve uma carreira razoável primeiro em carros esporte, na categoria C2, e depois, em carros turismo, ganhando 9 corridas do BTCC e chegando a vice-campeão em 1999. Leslie morreu em um acidente de avião em 2008, e teve a distinção de pilotar um dos poucos não Ralt no campeonato, o Magnum 833, com motor Toyota.

O inglês Calvin Fish fez carreira nos EUA e ganhou o título da Formula Atlantic em 1987. Hoje em dia é um dos comentaristtas do canal Speed.

O suiço Mario Hytten eventualmente se tornou piloto de carros esporte, e seu maior feito foi obter um quinto lugar em Le Mans em 1985. Também correu com Ralt Toyota.

O jamaicano Carlton Tingling foi campeão da Classe B da F3 inglesa em 1985, mas não evoluiu na carreira além disso. Sua nacionalidade é rara nos meios automobilísticos, e só por isso merece menção especial.

Tim-Lee Davey também terminou no Mundial de Marcas, pilotando Tigas e Porsches sem muita distinção.

Os ingleses Bill Burley, Tim Barry e Gregg Atkinson merecem menção por terem persistido com velhos March. Burley correu com um 813 e Atkinson e Barry, com um bem velho 793. Mike Blanchet também pilotou o March 813.

Steve Bradley, por outro lado, disputou corridas com um raro Argo com motor Toyota.

O finlandês Jorma Airaksinen disputou algumas corridas, mas não era um novo Keke Rosberg e desapareceu. Outro escandinavo a participar do campeonato foi Jan Olov Tingdal, sem sucesso, que também correu com um March 813.

Jeff Ward e Paul Jackson foram inscritos em diversas corridas com o Sparton SE420 VW, mas nunca apareceram.

O americano Tommy Grunnah disputou diversas provas nas posições intermediárias.

O irmão de James Hunt, David, correu com um Ralt de Eddie Jordan no final da temporada.

Um longo contingente de ingleses disputou provas com Ralts, sem sucesso - Tony Trevor, Brian Dunning, Eric Lang, Ronnie Grant, Ricard Trott, Martin Wood, Leo Andersson.

Diversos pilotos de fora disputaram a prova de Silverstone, preliminar da F1, em 16 de julho - Francois Hesnault, Carlos Abella, Tommy Byrne, e Alo Lawler. Roberto Moreno estava inscrito, mas não apareceu.

Em suma, Senna escolheu o campeonato certo. Na Inglaterra, foi rei. A concorrência era bem mais forte no campeonato Europeu, que visitou a Inglaterra em 12 de junho. Senna participou desta corrida (ganha por Brundle), mas abandonou após um acidente e largar na primeira fila. As corridas do Europeu não somente tinham melhores concorrentes, mas também muitos carros - de fato, a prova de Silvesrtone contou com 36 bólidos.

Entre os inscritos, diversos pilotos que um dia chegariam à F1 - Gerhard Berger, futuro companheiro de Senna na McLaren, Tommy Byrne, Pierluigi Martini, Pascal Fabre, Claudio Langes, Emannuelle Pirro. Além destes outros pilotos bons, que entretanto, nunca chegaram á F1 - James Weaver, Didier Theys, Roberto Ravaglia, Ruggero Melgrati, Kris Nissen.

Senna ainda era, de longe, o melhor dessa turma, mas provavelmente teria sofrido um pouquinho mais com o pessoal do continente.

Nessa corrida de Silverstone participaram os chassis Anson (Weaver, Langes e Nissen) e Avidesa (Campos e Liobell), além de diversos carros com motor Alfa-Romeo.

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