Formula VW 1600, 1979, primeira etapa

Mauricio Chulam Neto foi um dos maiores vencedores de corridas no Brasil nos anos 70. O piloto foi tetracampeão da Classe A da Divisão 4, e ganhou todas as corridas da última temporada da categoria. Vez por outra, conseguia ganhar até dos carros da Classe B.
Há sempre aqueles que querem diminuir os feitos de um piloto, principalmente daqueles que dominam. Chulam tinham seus críticos, que pensavam que ele só era hegemônico numa categoria com pilotos e carros fracos, e que em categorias mais fortes, era só mais um piloto razoável. O grande argumento dessas pessoas era a falta de sucesso de Chulam nas outras categorias. Já havia corrido na FF, na Divisão 3, e nada.

Logo na primeira temporada da Super-Vê, Chulam participou com um carro da Equipe Hollywood, um Heve. Não foi muito competitivo em 1974 e 1975, dando mais pólvora para aqueles que queriam detonar com o piloto carioca.

Em 1976, a Equipe Hollywood passou a se dedicar exclusivamente à Fórmula VW 1600, com três carros, e um forte trio de pilotos - Chulam, Tite Catapani e Teleco. Chulam foi, de longe, o melhor dos três, ganhando sua primeira corrida na categoria.

No ano seguinte a equipe estava extinta, mas Chulam foi contratado por uma outra boa equipe, a Brahma, que entrara no circo no ano anterior, com José Pedro Chateaubriand. Apesar de Chateaubriand ser, teoricamente, o primeiro piloto da equipe, Mauricio foi rápido e ganhou uma corrida no Rio de Janeiro. Só que o campeonato foi uma batalha entre Marcos Troncon e Alfredo Guaraná, e os piloos da Brahma tiveram participação secundária na "Fórmula 1 brasileira".

Em 1979, ainda na Brahma, e com Chateau como companheiro de equipe, Chulam tinha chances de brilhar novamente no campeonato. Desta feita, teria seu carro preparado por um preparador diferente de Chateau.

A primeira corrida da temporada ocorreu em Interlagos, e Chulam já mostrara sua superioridade, fazendo 3m04.58s. Os 1600 já não faziam tempos inferiores a 3 minutos em Interlagos, mas a marca era excelente. Evandro, seu preparador, não mexeu só no motor, mas também na aerodinâmica do carro e na distribuição de peso. Chulam foi um dos poucos a achar o efeito-solo besteira nos 1600. Guaraná ficou a 2 décimos de segundo atrás de Mauricio, seguidos de perto por Ronaldo Ely, Marcos Troncon, Castro Prado e com cinco segundos de diferença, Chateaubriand.

A prova teve duas baterias. Chulam pulou na frente na primeira, mas Guaraná o ultrapassou antes de completar a primeira volta. Chulam não deixou por menos, forçou a barra, e Guaraná acabou saindo da pista, bateau nas telas de proteção e acabou com as rodas desalinhadas. Daí até o final, Chulam não teve adversários. O segundo foi Ronaldo Ely, seguido de Guaraná, Troncon e Chateau.

Na segunda bateria, Chulam largou bem novamente, e embora tenha levado um totozinho de Ely na Ferradura, continou na frente, pressionado por Guaraná. Este não conseguiu induzir Chulam ao erro, que terminou a bateria novamente na frente, seguido de Guaraná, Chateau e um surpreendente Claudio Barbosa, que correu sempre entre os primeiros.

Na soma dos tempos, a corrida terminou na ordem Chulam, Guaraná, Chateau, Barbosa, Moura Brito e Amadeo Campos. Chulam ainda fez a volta mais rápida da corrida, com 3m06.17s.

Pelo jeito, Guaraná teria bastante problema para manter seu título em 1979...

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