A tendência entrópica

Longe de mim dizer que sou doutor em termodinâmica. Diria que mal sou letrado no assunto, embora confesse que tenho lá meus sórdidos fascínios pelo conceito. Seia meu lado masoquista. Principalmente com a tal segunda lei, a da entropia. Fascínio misturado com confusão, nada ajudado pelas informações que me foram transmitidas sobre o assunto. Acho que não sou só eu o confuso sobre a entropia, que diga-se de passagem, trata justamente de confusão. Alguns dizem que se aplica somente a sistemas fechados, outros que é somente teórica, outros juram que o universo acabará um dia quando a entropia atingir o auge, que é uma coisa real, realíssima e assustadora!

Muitas das teorias mais sofisticadas da ciência na realidade se basearam em observações de coisas banais, nada sofisticadas. Nada errado com isso. Afinal de contas, não se tratam de completas abstratas viagens na maionese, seriam fruto de investigações sérias com os propósitos mais nobres, sobre coisas reais.

Quanto à entropia, imagino que observar os diversos "sistemas" da natureza, inclusive aqueles criados pelo homem, seria um excelente ponto de partida para cozinhar teorias de caos e entropia. Algo assim como, quanto mais complicado algo fica, mais complicado ficará no futuro.

Estava lendo o editorial da Autocourse, de 1974, e parecia que estava lendo algum editorial de uma publicação de automobilismo contemporânea séria e analítica. Os problemas da época - excesso de categorias, excesso de tecnologia, compostos de pneus, custos altos, muita gente mandando, problemas com categorias de base, políticagem, e outros mais, que a falta de memória me impedem de citar  - se aplicam integralmente hoje em dia. De fato, os problemas não foram resolvidos em 41 anos, e sim, expandiram N ordens de magnitude. Não só nada melhorou, de fato, tudo piorou!

A receita do editor seria simplificação, ou seja, a antítese da entropia.

A simplificação não veio, veio mais confusão, em cima de confusão...

Isso não se aplica só ao automobilismo. Em todas as áreas. Na economia, na política, no mundo empresarial, nos mercados, na academia, na tecnologia, nas leis, na tributação, nas artes, na filosofia, na taxonomia, na sociedade de modo geral. Nos mesmos quarenta e um anos, criaram-se já diversos outros países (a maioria paupérrima, diga-se de passagem), a nova era, a auto-ajuda, a ótica politicamente correta e seu aliado, porém antagônico, relativismo cultural, ao mesmo tempo em que o fundamentalismo e conservadorismo expandiram sobremaneira. Ou seja, parece que pelo menos tudo em que o ser humano toca. a tendência à entropia impera.

Quem tiver acesso a essa edição da Autocourse, vale a pena ler. Você vai morrer de rir. Ou de chorar.

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