A volta por cima da BMW

Na sua primeira participação prolongada na F1, nos anos 80, a BMW conheceu sucesso quase imediatamente. Os motores da marca bávara estrearam na Brabham em 1982, e já em 1983, levaram Nelson Piquet ao título mundial. O brasileiro ainda obteve algumas vitórias em 1984, 85, porém, salvo por uma vitória da Benneton com um motor alemão, o sucesso não foi repetido, e a marca decidiu se mandar da F-1, com a proibição dos motores turbo.

O acordo com a Williams tinha tudo para dar certo. Afinal, a marca inglesa tinha ganho diversos títulos nos anos 80 e 90, e com uma excelente infraestrutura, a parceria seria, com certeza, bem sucedida. Não foi.

Sim, os Williams-BMW ganharam algumas provas, e com Juan Pablo Montoya, parecia que o futuro seria róseo. Entretanto, a BMW queria um pouco mais da Williams, que queria manter sua independência. Era a época das montadoras na F1, e ser mera fornecedora de motores era quase queimação de filme. A BMW queria comprar a Williams. Assim, ocorreu o divórcio entre as duas empresas, e a compra da Sauber pela BMW, que eventualmente se tornou BMW.

A equipe BMW de F1 não foi bem sucedida, apesar de ter um dos melhores pilotos da época, Robert Kubica. O polonês conseguiu uma única vitória, e com a crise de 2008 o conselho da BMW se deparou com uma questão crítica - permanecer ou sair da F1. Resolveu sair.
 
A meu ver, a decisão foi certa. A BMW tem uma vocação excepcional para as corridas de turismo, e sua ausência do DTM durante muitos anos era sentida. Depois de decisão de voltar, o anúncio e a época de preparo, a BMW fez sua primeira temporada em 2012, e saiu vitoriosa, com Bruno Spengler. Não só venceu, como convenceu, e até mesmo o brasileiro Augusto Farfus ganhou uma corrida para a marca de Munique.

Sucesso de um, fracasso de outro. Pilotos de F1 frequentemente acham que vão ter sucesso instantâneo em carros de turismo, tidos como inferiores aos monopostos, e muitos quebram a cara. No mesmo fim de semana em que Barrichello estreou na Stockcar brasileira com resultado modesto, David Coulthard se aposenta de vez, após três fracas temporadas no DTM. Um outro ex-piloto de F1, Ralf Schumacher, está na categoria desde 2008, sem brilhar. Assim, é fácil entender por que Michael Schumacher logo dispensou a possibilidade de fazer uma segunda carreira no DTM, na mesma Mercedes que o empregou nos últimos 3 anos. O tiro realmente poderia sair pela culatra.

Já Susie Wolff também se aposenta do campeonato sem brilhar. A piloto inglesa, que competiu nos primeiros anos com sobrenome de solteira, Stoddart, passou a maior parte do tempo entre os retardatários. Quem sabe só teve um desempenho marginalmente melhor do que as outras Frauleins que participaram do DTM nos últimos anos, Vanina Ickx e Katherine Legge. Sua participação como piloto de testes da Williams tem mero valor publicitário. Está para aparecer outra Ellen Lohr.

Carlos de Paula é tradutor e historiador de automobilismo baseado em Miami  
 

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