Persistir vale a pena


Não se trata de exagerar o valor do esporte que eu amo - porém, o automobilismo nos dá algumas lições de vida.  Por exemplo, a persistência dá frutos. 

Um dos casos mais gritantes de persistência foi a carreira do australiano Alan Jones. O australiano já estava na F-3 inglesa no longínquo 1970, e, de fato, chegou a participar do torneio brasileiro de F-3 de 1971, sem uma atuação marcante.  Ficou na categoria até 1973, e nesse ínterim, disputou muitas dezenas de corridas, inclusive  contra alguns futuros campeões mundiais, como James Hunt, Niki Lauda e Jody Scheckter. Em 73, mais experiente, Alain já era um piloto competitivo na categoria, e depois passou para a Fórmula Atlantic, Fórmula 5000 e, finalmente, a Fórmula 1. Eventualmente foi campeão mundial, e obteve 12 vitórias na categoria. Foi também campeão da Can-Am, e terminou com um histórico melhor do que mais de 99 % dos pilotos que enfrentou nas pistas, muitos dos quais pareciam ter um futuro melhor – como por exemplo, seu conterrâneo Dave Walker e o inglês Tony Trimmer.



Um outro caso menos conhecido é o do início  da Matra na categoria esporte, na qual eventualmente obteve muito sucesso. O primeiro Matra protótipo foi o 630, com motor BRM, que correu em 1966. O carro foi inscrito em diversas provas, de longa e curta duração, inclusive as 24 Horas de Le Mans. Em Sarthre, e em outras corridas longas a Matra usou seis pilotos: Jean Pierre Beltoise, Johnny Servoz Gavin, Alan Rees, Jo Schlesser, Henri Pescarolo e Jean Pierre Jaussaud. Os dois últimos, Pescarolo e Jaussaud, foram consistentemente os mais vagarosos durante a temporada inteira. Persistiram. Eventualmente, Pescarolo não só ganhou a primeira Le Mans da Matra, em 1972, como também as duas outras edições ganhas pela marca, em 73 e 74. De quebra, ainda ganhou a edição de 1984, com um Porsche, e foi o piloto que mais participou de Le Mans. Sem contar que também foi construtor. Jaussaud não ganhou com a Matra, mas teve a honra de ganhar duas edições da corrida com dois construtores gálicos, a Renault em 1978 e a Rondeau em 1980. Já os quatro mais rápidos daquela temporada não ganharam sequer uma única edição da grande corrida. Ou seja, persistir vale a pena. Mais cedo, mais tarde.  

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