A volta da Formula Vê por deslize da Ford

A Fórmula Vê colapsou no Brasil após 1969, e as poucas corridas realizadas com carros da categoria, em 1970, se deram na também má fadada Fórmula Brasil. Os carros com fracos motores de 1200 cc não eram rápidos, e não caiu no gosto do público, principalmente depois do torneio BUA de Formula Ford em 1970. O automobilismo carioca, onde a Fórmula se popularizou, também entrou em crise em 1970, o que ajuda a explicar o colapso da categoria.
Entretanto, os Vê eram ideais como carros-escola para as poucas escolas de automobilismo existentes no Brasil, justamente por não serem tão rápidos, ao mesmo tempo que ensinavam aos alunos os fundamentos de pilotagem.
A proposta da Fórmula Ford brasileira, estabelecida em 1971, era ser uma categoria mais rápida do que a Vê, mas com custos baixos, e portanto, com limitação no preparo dos motores Corcel.
Com o anúncio da Fórmula Super Vê, a Ford intuiu, corretamente, que os FF passariam a ser vistos como relativamente tão fracos como os Vê de um passado recente. Assim, a partir de 1974 o regulamento preparado pela Ford permitiu preparo mais elaborado dos motores, ou seja, visando peitar a Super Vê no quesito performance.
Nos dois anos em que vigorou este regulamento, a performance dos FF continuou fraca em relação aos Super Vê. Para piorar as coisas para a Ford, a VW resolveu então ressuscitar a Fórmula Vê, agora com motores 1300, que assim passaria a ocupar o nicho de categoria-escola da FF. Ou seja, durante 1974 e 1975 a FF não era nem uma coisa, nem outra. Ficou sendo uma categoria intermediária, algo não desejável para a Ford, que voltou a adotar o conceito de categoria-escola em 1976.

Mario Ferraris neto, campeão da ressuscitada Formula Vê em 1975
O primeiro campeonato da nova Fórmula Vê foi um torneio paulista, realizado em 1975 com provas somente em Interlagos. A categoria caiu no gosto dos participantes, e na última prova do ano, em 7 de dezembro, já havia 26 carros inscritos. O novo Vê também era mais veloz do que os carros de 68 e 69.
Entre os carros deste torneio ainda figuravam diversos Aranae e Rio Vê, da primeira edição da Vê, além de muitos Pati, os carros usados pela escola de pilotagem de Mario Pati Junior, e Heves, Newcar, Cianciaruso e Ferraris. Nas edições seguintes do campeonato surgiram diversas outras marcas, inclusive carros construídos no Ceará, onde se realizaram alguns torneios de F-VW 1300.
Para dar uma idéia da diferença de performance entre os Vê e os Super-Vê, no final de 1975 os Super Vê já conseguiam rodar em Interlagos em aproximadamente 3 minutos, ao passo que os Vê mais rápidos faziam 3m40s, uma bela diferença.
O campeão foi o paulista Mario Ferraris Neto, que entre outras, ganhou a última corrida do ano, perante um público grande em Interlagos. Ferraris seria o único piloto brasileiro a obter uma vitória internacional em 1976, na Formula Ford inglesa. Um outro piloto a participar deste campeonato que brilharia durante um curto espaço de tempo foi Fernando Jorge, que marcou o terceiro tempo na sua estreia na Super Vê em 1976, ganhou uma corrida naquele ano e participou da F-3 européia em 1977 e 1978.
No ano seguinte a Fórmula Vê foi rebatizada Fórmula VW 1300, e teve bastante sucesso, com grids cheios e muita disputa, até ser cancelada pela VW em 1980. Os carros foram assimilados pela Formula FIAT.

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