Verdades, armações, sabe-se lá

No automobilismo, há cenas peculiares que nunca foram devidamente registradas ou documentadas, outras sim. Algumas hilárias, outras tantas trágicas e tristes. Algumas já são tão antigas que é impossível saber se realmente aconteceram, ou se são foram mera armação de um grande gozador.

Dizem que Jules Goux, vencedor de Indianapolis em 1913, parou nos boxes para tomar uma champanhota no meio da corrida. Já Inácio Terrana, que costumava passear por Interlagos com seu Simca fazendo tempos superiores a 5 minutos por volta, em vez de usar os boxes para abastecer seu carro em corridas de longa duração, saía do autódromo, e colocava gasosa num posto próximo, voltava com a maior calma para "correr". Dizem que um dos Opalas que participou da primeira prova de Stockcar em Cascavel era tão standard que tinha até ar condicionado. Resta saber se foi usado pelo piloto durante a corrida. Já um piloto folgado de Brasilia corria em seu DKW curtindo um cigarrinho.

Hoje tudo é tão mais profissional, mas ainda temos o exemplo de Taki Inoue sendo atropelado mais de uma vez durante a sua fulgurante passagem pela Fórmula 1. E vez por outra, aparecem coelhos, cachorros e outros animais em plena pista, durante GPs. Até o Singaporegate chega a ter rampantes de comicidade.

Além disso, hoje tudo é tão rápido. Reclamamos quando o Massa fica a alguns centésimos de segundo do Alonso, mas houve época em que a distância entre os primeiros colocados de um grid era contada em diversos segundos. E não estou falando nas longas Nurburgring, Spa e Pescara, e sim em pistas mais curtas.

Também reclamamos, e parecia que mundo ia acabar, quando sobraram somente vinte carros para disputar o Mundial de Pilotos.

No começo, até os mais profissionais eram bagunçados, e tudo tinha um ar de improviso, e comparativamente, lentidão, apesar de serem corridas.

Campari em 1925

O primeiro campeonato mundial de automobilismo foi o de 1925. Contou com algumas poucas provas, e a campeã foi a Alfa-Romeo. Não houve campeonato de pilotos, e o vencedor ganhava 1 ponto, o segundo, 2, etc. Enfim, tudo às avessas do que conhecemos hoje.

No GP da Bélgica, aliás, a primeira edição do dito cujo, havia, além da Alfa, carros da Delage, Sunbeam e Bugatti inscritos. Mas na hora "h", largaram somente sete carros, quatro Delage e três Alfas.

A corrida era longa. Grandes Prêmios naquela época não eram "Made for TV", que aliás, nem existia ainda. Nesse caso específico, a corrida tinha 800 km, e acabou durando mais de seis horas!

Eventualmente, os quatro Delages abandonaram, e, juntando-se à Alfa de Brilli Peri, só ficaram dois carros na pista, as Alfas de Antonio Ascari e Giuseppe Campari.

O público não gostou muito da coisa e começou a vaiar os dois heróicos sobreviventes. A reação do pessoal da Alfa foi prá lá de engraçada. Prepararam um lanche maneiro, e os dois pilotos pararam nos pits, e comeram farta (e aparentemente, vagarosamente), para deixar o público ficar com saudade dos dois bólidos na pista. Eventualmente voltaram, Ascari em primeiro, Campari em segundo.

Bota romance nisso!

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