Um sonho concretizado, até que enfim

A vitória de Fernando Alonso em SPA, pilotando um Toyota numa prova de endurance era um sonho meu. Embora respeite Alonso, não sou um fervoroso fã. Meu sonho tinha a ver com outra coisa.

Comecei a seguir o esporte timidamente, aos 8 anos de idade, em 1969, Minha primeira temporada plena foi 1972 (que surpresa!). Naquela altura do campeonato, já sabia que existiam diferentes categorias, pistas e estilos. Amava a Formula 1, mas também adorava o Campeonato Mundial de Marcas.

Naquela temporada, um grande número de pilotos de Fórmula 1 participaram do campeonato de Endurance. De cabeça, a lista desses pilotos era a seguinte: Ickx, Regazzoni, Marko, Galli, De Adamich, Bell, Redman, Peterson, Schenken, Ganley, Cevert, Hill, Migault, Beltoise, Amon, Pescarolo, Pace, Soler-Roig, Revson, Merzario, Andretti, W. Fittipaldi Jr., Wisell e Stommelen.

Dentre um grande número de pilotos usados pela Ferrari no Mundial de Marcas de 1972, somente Sandro Munari não disputou a F1 naquele ano.

Embora os três primeiros colocados da F1 naquela temporada tenham ficado bem longe do Mundial de Marcas, o quarto colocado, Ickx, ganhou e foi extremamente competitivo em ambas as disciplinas.

Eram tempos diferentes, sei disso. Naquele ano, a F-1 teve somente 12 corridas. Segundo, mesmo pilotos de GP não ganhavam muita grana naquela época, e uns dólares, francos e marcos a mais no bolso eram bem vindos. Corriam não só no Mundial de Marcas, mas também na Fórmula 2, Turismo, Fórmula 5000, Can-Am, Intersérie, Europeu de 2 Litros, Indianápolis, NASCAR, subidas de montanha e mesmo corridas locais. Com o passar do tempo, e a vinda da TV, o calendário da F-1 se expandiu para as 20+ provas atuais e os salários também se tornaram bons - hoje qualquer zé mané, pilotando nas piores equipes de F1, ganha uns US$ 500.000 por ano e não há a necessidade de trabalhar em outras séries.

Vez por outra algum piloto atual de F1 se arrisca em Le Mans, como fez Hulkenberg alguns anos atrás. Porém, em grande parte, a maioria dos pilotos hoje em dia participa de uma única categoria. Nunca pensei que um piloto de F1 top como Alonso voltaria a participar de um campeonato de Endurance.

Como não sou ingênuo, sei que isto não é uma tendência. Alonso só aceitou por que o carro era um Toyota, que reina absoluto nesse ano. Em 72 havia pelo menos cinco equipes competitivas, e algumas inscreviam até 4 carros em algumas provas. Pilotos de GP atuais só seriam atraídos para o mundo Endurance se houvesse um bom número de equipes de fábrica - uma equipe privada de LMP1 provavelmente não consiga atrair pilotos de F1.

Portanto, curtam Alonso e o Toyota enquanto estão disputando as provas. É improvável que ambos persistam muito tempo.

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