A obsessão SUDAM

Até os anos 30, o automobilismo na Argentina e Brasil de desenvolveram separadamente. Quer dizer, se desenvolveu na Argentina, onde a categoria Mecânica Nacional era uma verdadeira categoria GP local, e no Brasil, empacou. Com a criação do GP da Gávea, disputado (e ganho) por argentinos, os pilotos brasileiros se desenvolveram, e de fato, volantes como Chico e Quirino Landi e Nascimento Junior participaram de algumas corridas de MN no país vizinho.

Com a inauguração de Interlagos, no período pós guerra foram realizadas diversas corridas internacionais em São Paulo, além do GP da Gávea que continuava a ser realizado no Rio, porém, com a ascensão de Fangio, a Argentina tomou a dianteira mais uma vez, inclusive com a realização de corridas dos campeonatos mundiais de F1 e de marcas no vizinho sulino. Apesar da sempre presente rivalidade entre platinos e tupiniquins, surgia o desejo de formar uma categoria, ou pelo menos, um campeonato Sul-Americano. A primeira tentativa ocorreu no final dos anos 50. Nos anos 60, a briga entre ACB e CBA isolou o automobilismo brasileiro do resto do mundo, porém, eventualmente, tentou-se criar um novo campeonato SUDAM, em 1971, com protótipos argentinos (made in Argentina mesmo) e protótipos que corriam no Brasil, nem sempre brasileiros. Enquanto os argentinos ganhavam, tudo bem, Quando os brasileiros apareceram nas corridas com um Porsche 908-2, e Luis Pereira Bueno ganhou uma corrida na Argentina, começou o chia-chia. Uma última corrida SUDAM ocorreu em 1972, e no ano seguinte, a própria categoria protótipos se afogava na Argentina. A YPF basicamente pagava as contas do automobilismo local, e ficou muito caro bancar duas categorias Top - a Fórmula 1 argentina e a categoria Esporte. Sobrou para os protótipos, que de qualquer forma também deixarian de correr no Brasil a partir de 1976. A Sudam era natimorta.

Eventualmente, a F1 argentina também acabou, e para os argentinos sobraram as categorias de monopostos de baixa cilindrada (F2 e F4) e as corridas de carros de turismo. No Brasil, com a exceção do Opala, não se fabricavam carros de grande cilindrada a partir de 1982, e com a retirada da VW como patrocinadora das Fórmulas VW, surgiu uma nova categoria, a Fórmula 2 Brasileira.

Daí até surgir a ideia de fazer um campeonato sul-americano de F-2 não durou muito.

Entre outros, um dos mais entusiasmados era o grande construtor Oreste Berta, que achava, de uma forma um tanto ingênua, que na categoria sulamericana os pilotos do continente poderiam atrair a atenção de grandes equipes da Europa, gastando muito pouco dinheiro. Na realidade, nos anos 80 o automobilismo praticado fora do eixo EUA-Europa Ocidental era infrequentemente coberto pela imprensa dos grandes centros. Vez por outra se falava dos torneios de monopostos da Oceania, ou das corridas de Fórmula Atlantic sul-africana, ou da F2 japonesa. A América do Sul estava fora do foco da imprensa especializada.

Na realidade, para Berta, a F2 era uma forma de sobrevivência. Também o principal construtor da F1 e categoria Protótipos argentina, com o colapso das duas categorias só restava a Berta a F2. De fato, o carro foi copiado no Brasil, e chamado de Muffatão. A F2 no continente era praticamente dominada por Berta, seja nas corridas da F2 Brasil, como nas de F2 Argentina.

Na realidade, a F2 sul-americana pouco tinha a ver com a F-2 europeia. Os carros da categoria europeia tinham motores especializados de competição, de 2 litros, que faziam 280 HP. Os carros sulamericanos tinham motores baseados em carros de rua, que com algum esforço chegavam a 180 HP.

A F2 já exisita na Argentina desde 1966, e foi nela que apareceu Carlos Reutemann. Na realidade, foi o único argentino a fazer grande sucesso na Europa nos anos 70. Outros como Ricardo Zunino, Miguel Angel Guerra  chegaram a atingir a  F1, porém, sem sucesso. Eventualmente, a F2 Sulamericana não abriu portas para nenhum piloto sul-americano. O grande campeão da categoria, Guillermo Maldonado, preferiu ficar mesmo no seu país, e nenhum brasileiro, chileno, uruguaio ou paraguaio conquistou o velho continente após participar na categoria. O sonho de Berta não passou disso, um sonho.

Porém, a categoria teve seus momentos brilhantes.

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