TOQUE DE MESTRE
No começo da minha carreira de tradutor em Nova York também prestava serviço de intérprete. Depois, com o passar dos anos, a surdez aumentando e por questões comerciais, decidi deixar a interpretação de lado. Entre outras coisas, fiz interpretações médicas. Não me lembro do ano, mas com certeza foi uns 35 anos atrás. O cliente era um homem dos seus 70 e poucos anos, que vinha acompanhado da esposa. Depois da consulta apareceu uma filha, que parecia mais interessada na Sachs Fifth Avenue do que na saúde do pai. O casal estava hospedado no Park Lane e tinha uma consulta com um médico cujo consultório ficava praticamente do lado do hotel, no Central Park South. O homem, vamos chamá-lo de B., tinha sofrido um ou mais derrames, e parecia não confiar muito nos médicos da sua região, sequer dos profissionais da Zona Sul do Rio, onde passava a maior parte do tempo. B. não falava muito. Vestido com um elegante terno de alfaiate marrom claro e sapatos croma...